- Não. Agora estás a pagar por tudo o que me fizeste! – a voz de Soraia era forte e fazia estremecer tudo o que ali se encontrava.
- Não estas a perceber, deixa-me explicar-te…
- Não tens nada que explicar! Tu roubaste-me o meu grande amor, fizeste-me passar uma grande vergonha quando encontras-te com ele. Ele tinha razão eu era falsa mas ele nunca gostou de mim de maneira alguma.
- Mas eu não tive culpa…
-Cala-te! Depois apareces-te tu…a linda rapariga que fez Filipe se encantar. Ele apaixonou-se por ti e tu por ele. Não imaginas a raiva que senti e ainda sinto por ti! Desfizeste os meus sonhos e pagaste muito caro por isso!
- Desculpa, mas como sabes que estou a pagar ou não por isso?
- Então o teu amigo Pedro está bom?
Pedro…de onde conheceria ela o Pedro? A tensão voltou a sentir-se no momento que dos lábios de Soraia se soltou a palavra “Pedro”.
- Conheces o Pedro?
O riso maléfico de Soraia fazia Leonor sentir-se insegura, mas rapidamente calou-se e disse.
- O Pedro? Onde anda o Pedro? É o teu amor o Pedro?
- Sim, porquê?
- O Pedro, por acaso é um colega meu da escola, isto se estivermos a falar da foto que vias na internet e a voz que ouviste, mas se estivermos a falar das mensagens românticas que ele te enviava…podes dizer que eu tenho jeito, não?
- Tu? Não acredito como foste capaz?
- Como já te disse, comigo ninguém brinca e tu apenas pagas-te pelo que me fizeste!
- Não….não pode ser verdade… - as lágrimas de Leonor eram intensas e faziam-na enfraquecer o foi numa questão de segundos que ela caiu no chão a chorar e apenas ouvia as palavras de Soraia.
- O Pedro foi uma invenção minha…Aveiro, porque eu sabia que se fosse outro local mais longe tu não serias capaz de ir ter com ele. E agora estás sozinha! Sem amigos, sem a família…o que vai ser de ti?
Leonor não soltava uma única palavra apenas a raiva parecia ferver na sua cara.
- Eu agora sou bem mais feliz sem precisar de ti na minha vida…tens bons amigos e um bom grupo na escola.
Leonor levantou-se e sentia-se mais forte e pronta a dizer tudo o que tinha a dizer a Soraia.
- Tenho pena de ti…és tão fraca, invejosa, falsa e pensas no teu bem-estar e não te preocupas sequer pelos outros. Será que amavas mesmo o Filipe ou era apenas uma manobra de diversão tua para te sentires mais importante perante os outros na escola?
- Como te atreves?
Mal acabou de soltar estas palavras Soraia atira-se a toda a força para cima de Leonor e envolveram-se numa enorme briga que fez chamar ainda mais a atenção de todos os que ali passavam. Conseguindo soltar-se de Soraia Leonor desata a correr por uns atalhos e esconde-se num pequeno café escuro e sombrio onde apenas estavam três pessoas: o empregado de mesa e dois bêbedos.
Coberta de medo e raiva Leonor esconde-se num canto da sala com medo de ser novamente atacada e é então que a porta da sala abre-se e ela vê Filipe procurando por algo entre as mesas.
- Estás aqui. Procurei-te em todos os cafés desta rua. Sei tudo o que aconteceu…ouvi a tua discussão com a Soraia e agora vejo o motivo de não acreditares em mim a vossa amizade era forte e ela conseguia iludir-te. Agora isso não interessa tens que sair daqui.
- Eu não mereço a tua ajuda…deixa-me ficar.
-Nem pensar! È então que ele a beija intensamente e ambos descobrem o que ainda sentem apesar de tudo.
Depois desse fantástico momento, são obrigados a descer das nuvens e correr pelo café fora na esperança de não encontrar Soraia.
Iam já a sair daquela velha rua onde estavam os cafés quando aparece Soraia com um grande punhal na sua mão.
- Que estás a fazer larga isso!
- Agora tens medo, amor?
- Eu não sou o teu amor, o meu coração agora pertence à Leonor, como desde o dia em que a conheci.
Ele segurava fortemente Leonor atrás de si, sem deixar que Soraia se aproxima-se dela.
- Larga-a já e assim não haverá muitos danos.
Com medo de que Soraia faça mal a Filipe, ela solta-se dos braços do amado e aproxima-se de Soraia.
- Não! Afasta-te, ela quer-te fazer mal!
- O melhor é não fazeres o que o teu amado manda…para o vosso bem.
- Agora vou acabar contigo!
Soraia desatou a correr contra Leonor com o punhal na mão que segurava por cima da cabeça apontado a Leonor.
-Não! - mal Filipe soltou colocou-se na frente de Leonor.
- Filipe! – Leonor berrava chamando em vão pelo amado.
Pelo peito de Filipe o sangue escorria e do lado esquerdo do seu corpo estava ali o punhal crucificado no seu coração.
Soraia estava ali, pasmada com as mãos encharcadas de sangue e sem esperar que aquilo fosse acontecer ela desata a correr e abandona os dois ali que estavam estendidos no chão. Leonor estava sentada com o corpo de Filipe no colo e viu naquilo um fim. Sabia que não podia ressuscitar o seu amado e então permaneceu ali inquieta e apenas soltava vibrações horríveis e dolorosas.
IX – “Cinco anos depois”
Quando Leonor se levantou para tomar o pequeno-almoço, já os seus pais tinham saído de casa para ir trabalhar. Ao chegar perto da cozinha ela teve uma recaída. O que seria aquilo? Ela não estava doente. - Hoje, é hoje que faz cinco anos que ele se foi…
Cinco anos passaram, Soraia foi presa, os Leonor foi perdoada pela família, mas nunca mais confiaram nela como no dia em que ela nascera. Leonor sentia como tudo passava tão depressa mas aquela mágoa que sentia era como se tudo tivesse acabado de acontecer. A história do dinheiro pedido à Sra. Maria nunca veio ao de cima, Carolina, a única que sabia nunca contou nada a ninguém e Leonor já devolveu o montante à senhora.
Tudo agora parecia mais calmo, mais alegre. Desde à cinco anos que ela nunca mais voltara à escola. Agora trabalhava para paga tudo aquilo que roubou aos pais, mas nunca teve interesse em voltar aos estudos e ali ficou a trabalhar naquela fábrica de enlatados até hoje.
- Ela deve estar a chegar, tenho que me despachar. – Leonor estava atarefada pois hoje tinha uma coisa importante a fazer.
Ouviu-se a buzina de um carro e Carolina estava lá esperando a sua amiga.
- Estou pronta, podemos ir.
Elas foram e quando chegaram ao destino a tarde já ia a meio. Pararam o carro mesmo em frente aos portões e entraram. Por entre tantas campas a de Filipe era uma de cor branca e tinha uma caixa lacrada onde se encontrava um punhal.
Carolina deixou ali ficar Leonor junto à campa e foi para o carro.
Leonor abriu a caixa, pois ela ficou com uma chave e retirou o punhal. Estava tudo pago, tudo o que roubara já tinha devolvido e a aliança com todos estava feita.
Apontando o punhal a si, fez com que tudo se repetisse e ficou ali estendida na campa do seu amado. A chuva encarregou-se de espalhar o sangue da rapariga que parecia agora um mar encarnado. No dia seguinte Beatriz e Afonso, chegaram ao Gerês.
- Desculpem-me, eu não sabia que ela queria fazer isto… - as lágrimas de Carolina borravam toda a sua face enquanto implorava pelo que acontecera.
- Tu não tens culpa, a escolha foi dela. Se ela o fez estava consciente disso. – disse Beatriz.
- Ela tinha um último desejo.
- Diz lá Carolina. – disse Afonso.
- Ela queria ficar aqui nesta terra eternamente.
O enterro fez-se no dia seguinte, entre a família da vítima encontrava-se Carolina, os seus pais e mais alguns membros da freguesia onde morava Leonor, a Sra. Maria que nunca saia de casa fez questão de prestar uma última homenagem à rapariga.
“- As loucuras do amor fazem maravilhas, mas quando podem ser amaldiçoadas causam tragédias como estas. Anteontem fez cinco anos que morreu aquele que ela amou verdadeiramente se foi e desde então tem-lhe sido muito difícil superar a mágoa que sentia. Nós podíamos prever isto, ela deu sinais. Quando fugiu para Aveiro ela não sabia que era uma emboscada e estava cega pensava que assim podia esquecer Filipe e tentar a sorte com outro. Não teve sorte, a sua amiga que aqui morava era a culpada de tudo o que lhes aconteceu. Ela chegou a dizer-me que queria deixar uma boa recordação a todos os que fizera sofrer, aos seus pais e não só. Ela disse que tinha agora uma missão. Procurar na eternidade o seu amor.” – Carolina acabou o discurso e ficou ali a ver o caixão abandonar a luz do dia.
Lado a lado, ali ficaram debaixo da terra os seus corpos mas as suas almas eram mais felizes juntas na eternidade.
FIM
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