terça-feira, 11 de setembro de 2012

Liberdade–Folhas Soltas (Último)

 

A fechar a 1ª edição da rubrica Folhas Soltas, temos o tema Liberdade.

1.5 Liberdade

- Mãe, porque os animais estão tão quietos? Estão mortos? Ou a dormir?

- Então Julinho, eles estão vivos. Só que estão tristes, porque estão sempre sozinhos nas suas jaulas, e muitas vezes até são maltratados pelas pessoas que os visitam e pelas pessoas que tomam conta deles.

- Eu não gostava de viver numa jaula como eles…

- Pois, ninguém gosta de estar fechado. E ninguém melhor que eu sabe disso…

- Porque dizes isso mãe?

- Sabes Julinho, muito antes de tu nasceres a mãe esteve presa. Fiz umas asneiras e fiquei presa muito tempo. Mas paguei pelos meus erros, e hoje estou aqui com a coisa mais certa que fiz em toda a minha vida, tu querido.

- E porque foste presa mãe?

- Isso não interessa. Um dia depois eu conto-te.

Ana, a mãe de Julinho parou junto a uma jaula que estava vazia e ficou ali a olhar para aquele espaço vazio.

Matei um homem, não, não, não, não, não, não, não não fiz isso….

Foi ele que se matou sim, eu peguei nas joias, ele na arma. Eu corri, tiros, tiros, e mais tiros…

A traidora, odeio-a tudo culpa dela. Estraguei a minha vida, por ela.

Nenhum agradecimento. Nenhum pedido de desculpas. Gente fraca é o que ela é…

- Mãe? Vamos…

- Aí, desculpa a mãe estava distraída.

Momentos depois ela voltou a parar. Julinho correu para os baloiços brincar e Ana entrou numa das jaulas que estavam vazias e começou a falar sozinha.

- Paula, era o nome da minha melhor amiga. Já desconfiava que ela estivesse com problemas económicos, mas orgulhosa, sempre me negou isso quando lhe perguntava. O meu aniversário chegou, e ela insistiu que me iria comprar uns brincos. Fomos até uma ourivesaria. Escolhi uns brincos, e ela mandou-me esperar junto à porta enquanto ela se dirigia ao balcão para os pagar. Quando reparei, ela empunhava uma arma ao dono da loja. Ele estava cheio de medo, e ela logo reparou que eu vira a arma. Estava assustada. De imediato, disse-me “ Já que viste, agora pega nesses fios todos e leva-os na mala. Rápido” Ela apontou a arma a mim e fiz o que ela mandou. Mas o pior foi que enquanto ela estava distraída, o homem alcançou a sua arma que estava junto ao balcão, e apontou-a a Paula. Ela deu um berro ao ver a arma, e sem pensar duas vezes atirou contra o homem. No mesmo momento ele atirou contra ela. E eu, que tinha a bolsa cheia de ouro, considerada culpada por tentativa de roubo. Pelo menos livrei-me das mortes, isso ficou ilibada.

- Mãe? Foi mesmo isso que aconteceu?

- Julinho! O que fazes aqui?

- Vi-te entrar na jaula e fiquei com medo. Vim logo a correr para aqui.

- Vamos, vamos embora.

“ Como é bom ser livre. Como é bom correr. Como é bom sorrir. Estes animais são a minha história. Presos sem culpa, inocentes.”

 

João M.

 

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A segunda edição, poderá estrear ainda este ano! Fique atento!

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