- Não!!!I Isto não pode estar a acontecer! – Ana chorava e gritava. As lágrimas no seu rosto eram imensas.
- Acalma-te! O corpo ficou debaixo dos escombros na zona sul da aldeia, mas ainda há pessoas que tem esperança de o encontrar vivo.
- Pessoas? Que pessoas? A aldeia está deserta, só vi corpos mortos no chão.
- Não, as pessoas estão na zona este. Lá tem o rio que de certa forma as protege dos invasores. Chegaram-me noticias que foste vista a vir do norte, na direção daqui da casa e depois ouvi o piano, era a tua música.
- Sim isto fez-me assentar os pés na Terra. - disse ela. - Eu quando vinha para cá vi passar um exército do governo, que significa isso?
- Eles vieram ajudar-nos. Não sei se sabes mas os invasores foram arrastados pelos exércitos do governo para os nossos lados. As pessoas já perceberam que a razão está do nosso lado. Vamos vencer.
- E eu estou aqui para ajudar no que for preciso.
- Obrigada mana.
- Vou levar-te para junto do povo. Podes servir voluntariado aos idosos e crianças.
- Sim, eu vou.
E então eles partiram para este. Quando atravessaram o rio Ana deparou-se com a pobreza nos rostos daquelas pessoas, na tristeza que elas sentiam e sabia que precisava de mudar isso, sabia que a sua maior missão era espalhar esperança, fé e amor pelas pessoas que ali se encontravam. Ela foi saudada por todos os que por ela passavam, as continuou o seu percurso e foi se instalar junto do seu irmão. Repousou numa pequena cama até ao amanhecer. Levantou-se, comeu um pedaço de pão e bebeu um pouco de água e foi a correr para junto do irmão. Uma grande multidão estava reunida mas ela não conseguia perceber o que se passava. Ficou ali a tentar perceber o que se passava, mas só quando os soldados se aproximavam da tenda dela é que ela reparou que transportavam um corpo para a tenda da chefia. Ana sentiu um aperto no coração quando reparou que aquele rosto era conhecido.
- Pedro? – pensou ela.
- É ele. – gritou enquanto corria para junto dele.
Quando se aproximou viu que ele estava ferido numa perna.
- Ele perdeu muito sangue, vai morrer breve. – disse um dos soldados.
- Não, não vai.
Ana correu até à sua tenda e trouxe o frasco que Sanzal lhe tinha dado. Abriu e deixou cair o líquido na perna de Pedro. Depois deu-lhe um beijo na face que estava preta, da cinza e ele acordou.
- Ana. – disse ele ainda de olhos fechados.
- Sim sou eu. – respondeu ela enquanto lhe segurava a mão que tinha a aliança de casamento. – Agora descansa.
A ferida tinha desaparecido. Era sem dúvida um líquido mágico, que surpreendeu todos. Pedro ficou a recuperar e Ana decidiu dar um passeio e procurar flores para colocar junto à cama de Pedro. Afastou-se um pouco das tendas e viu ao longe uns movimentos a aproximarem-se. Eram os protestantes que restavam, eram cerca de trinta e por fim vinha o líder, aquele que persuadiu milhares a lutar apenas em seu benefício. Ela escondeu-se e deixou que o grupo passa-se. O líder ficou para traz com dois seguranças e Ana pegou numa pedra e tentou acertar-lhe. Não teve sucesso, e ao ver a pedra cair junto deles, os seguranças do líder correm em direção a Ana. Esta desata a correr até à tenda onde o grupo dos protestantes lutava contra o exército. Eles eram demasiados poucos e aos poucos foram morrendo todos. Quando Ana chega as tendas os dois que a seguiam são abatidos com dois punhais lançados pelo exército e morrem. Ana corre para junto deles mas tropeça num corpo que parecia estar morto e caí ao chão. Ele levanta-se e agarra-a ameaçando matá-la se eles fizerem alguma coisa. O líder aparece logo junto deles e retira a sua espada.
- Olha só quem é ela. A filhinha do Henrique o chefe desaparecido, o único que eu não destrui completamente.
- Não me faça mal. Imploro-lhe.
- Largue a minha irmã. – gritava Tomás.
- Sim largo. Solta-a.
O homem que a segurava soltou-a e ia para fugir quando o chefe manda-o parar.
- O que deseja mais de mim, senhor Serul?
- Nada. Apenas deixar tudo limpo. Eu perdi. Sou o chefe, por isso sou o ultimo a ir. – enquanto acabava de falar estendeu a espada ao homem e ele caiu no chão, morto.
- Assassino, monstro! – gritava Ana.
- Sim podes me chamar isso. Agora quero que lutes comigo. Desafio-te a um duelo.
- Como queiras.
- Não faças isso. Eu luto por ti. – gritou Tomás.
- Não. Tenho de ser eu a fazer isto. Por mim, pela minha família e por todos vós que eu amo. Dêem-me uma espada.
Um dos soldados atirou-lhe uma espada para as mãos e ela começou a lutar com Serul. Depois de vários arranhões ela consegue atingir Serul no coração, mas não é só o sangue dele que escorre na espada. Nessa preciso momento ela também é atingida por Serul na barriga e caem os dois no chão.
Ana ainda ouve a voz do seu irmão gritando por ela, ainda vê Pedro deitado dentro da tenda, vê Henrique e Madalena a chegarem com Tarsa e os meninos. Ao fim de alguns dias ela morre com falta de sangue. No preciso momento em que vê a vida fugir-lhe uma grande névoa escura tapa os seus olhos. Parece que estava perdida num mundo de escuridão. De repente abre os olhos e vê uma enorme claridade pela janela.
- Olá Ana. Então preparada para o casamento? A tua irmã Paula está tão entusiasmada. A minha borboleta amarela não vai querer chegar atrasada ao casamento da irmã, pois não?
- Sim mãe, já vou.
Ana acordara dum longo sono onde sonhara com guerra, paz, esperança sonhou com um mundo onde nunca é tarde para despertar o verdadeiro amor, com um mundo onde nem tudo tem uma explicação concreta, o caso de Serul organizar essa guerra era um desses. Mas no fundo Ana ainda sabia que no fundo é preciso viver para conhecer, é preciso viver para amar e que não podemos desistir nem fugir dos problemas nem arrepende-mo-nos dos nossos erros pois é com os erros que aprendemos, são eles que nos ensinam a viver.
Ana sabia que o casamento da sua irmã foi a base para o seu sonho, mas ao mesmo tempo sabia que não era o final do sonho, mas sim o inicio, pois esse sonho fez com que ela abrisse as portas da vida e aproveita-se tudo aquilo que ela oferece. Ela, é sim a pequena lagarta que está prestes a transformar-se numa linda borboleta, uma borboleta amarela.
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