O segundo ano do ensino básico chegara. Júlia agora passava grande parte do seu tempo com as suas amigas, Ana e Diana. As conversas de meninas, as descobertas da idade e as primeiras paixões foram os principais motivos que levaram Júlia a aproximar-se cada vez mais das raparigas. Júlia era vista por todos como uma pessoa popular.
O pesadelo de José estava prestes a começar. Invejado pela amizade que tem com Júlia, José começa a ser vítima de maus tratos por parte dos colegas.
- Pará! Qual é o teu problema? Que mal é que te fiz? – perguntava José.
- Calou… aqui não abres o bico! – dizia um dos agressores.
José também retribuía os murros, os empurrões e os pontapés que recebia, mas um contra quatro é sempre mais difícil de enfrentar. José começou a perder as forças de lutar, sentia que não valia a pena mostrar que não era fraco e foi ficando cada vez mais deprimido. As agressões a José continuavam sempre que por ele passavam, ora um murro ou um pontapé, José não escapava. José sentia-se vitorioso quando a guerra era verbal. Aí ele lutava com todos os seus argumentos sem dar o braço a torcer.
- Não vales nada, burro. – diziam eles a José.
- Ao contrário de alguns não compro amizades… - respondia ele, mas antes de acabar a frase já estava a ser atingido por eles.
José refugiava-se ora num ou outro canto da escola. A sua amargura, o ódio, faziam uma grande tempestade na sua cabeça, e a fúria era tal que nem conseguia derramar uma lágrima. A falta de coragem de pedir ajuda, e de se impor e fazer frente revoltavam José. No fundo ele sabia que coragem era o que mais precisava para tudo na vida, mas foi sempre esse o seu ponto fraco.
O afastamento de Júlia era cada vez mais notável. Continuava com as suas amigas, a discutir as tendências da moda, a discutir sobre os rapazes, os cremes novos que tinham, e nem sequer reparara no que se estava a passar com o seu amigo.
- Júlia queres fazer par comigo no trabalho de matemática? – perguntou José.
- Eu vou ficar com a Ana e a Diana. Arranja outro par. – disse ela.
- Eu arranjo. Não te preocupes.
- Quem não tem grupo? – perguntou a professora.
José levantou a mão. Foi o único.
- Ficas com a Diana, a Ana e a Júlia.
- Está bem professora. – respondeu José.
Embora não tenha ouvido, José sabia que Ana fizera um comentário sobre ele ao grupo. A gargalhada de Diana, e o olhar de Júlia denunciaram Ana. Ela tinha pena dele, mas forçou também uma gargalhada, como se tivesse de fazer aquilo para pagar o seu lugar no grupo, como se tivesse que fazer aquilo para contentar Ana.
As piadas sobre José eram motivo de gozo principalmente por parte de Ana. Nunca se sentira tão humilhado e desiludido com a amiga. Mas em ele sabia se ainda poderia considerar Júlia uma amiga. Foram dias de humilhação que José sofreu no grupo, até que o trabalho fosse concluído.
Durante todo o ano escolar, a relação de José e Júlia nunca vira dias positivos. A presença de Ana e Diana ditavam o limite da amizade de José e Júlia.
- Aquele José… não sei como aguentas-te tanto tempo com ele. – disse Ana.
- Ele… é… boa pessoa.
- Ahahah. Essa teve piada amiga.
- Eu estava a brincar. – disse Júlia com medo de reação de Ana.
continua…
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