E porque português é a nossa língua, e é uma disciplina fundamental a qualquer aspirante a escritor, noticiamos as últimas noticias referentes aos exames nacionais deste ano.
"É um desastre educacional"
Albino Almeida, presidente da Confederação das Associações de Pais (CONFAP), atribui toda a responsabilidade pelo "autêntico descalabro" que foram as notas ao GAVE, Gabinete do Ministério da Educação encarregue dos exames. Diz que os testes não são compatíveis como grau de exigência com que os alunos são confrontados ao longo do ano e, reconhecendo a "enorme dificuldade" de fazer um mesmo exame para milhares de alunos, exige a uma maior colaboração com as escolas.
Como classifica as notas dos exames do ensino básico e secundário?
São um autêntico descalabro. Já o antecipávamos, sobretudo para as áreas científicas. Ou o grau de exigência dos exames está desajustado ou parece que os alunos vão para a escola passar o seu tempo.
De quem é a responsabilidade?
O que se passa no GAVE é uma enorme incompetência. Não há uma calibragem dos exames, não é possível os alunos responderem se os conteúdos não forem desenvolvidos pelas escolas. É uma atroz incompetência, com consequências dramáticas para os alunos.
As escolas devem aumentar o grau de exigência?
O mais importante é estabilidade no grau de dificuldade de todos os exames durante, pelo menos, três anos, e trabalhar com as escolas para que as metodologias e os conteúdos sejam trabalhados com os alunos num grau de exigência semelhante ao que será seguido nos exames. Mas tem havido incapacidade em transmitir às escolas o grau de exigência adequado.
Seria benéfico ter turmas menores e mais horas de aula?
Não é por haver mais aulas que a situação melhora, não é num mês de aulas a mais que os alunos vão aprender o que não aprenderam em nove.
O que deve o ministro Nuno Crato fazer?
Quero acreditar que esta atitude tem a complacência da tutela. Passa-se a ideia que basta aumentar um pouco a exigência que os alunos reprovam todos. Exigimos que o ministro mande o GAVE calibrar os exames em função do nível de aprendizagem pretendido e trabalhar de perto com as escolas, que devem poder ter metodologias e estratégias para preparar os alunos ao longo do ano. Se a saúde ou a sinistralidade rodoviária tivessem resultados como este, já teríamos um ministro a vir a público explicá-los. Não acredito que a média dos alunos e das escolas seja desta ordem de grandeza. Desafio todos os professores a vir a terreiro.
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Pais afirmam que resultados dos exames refletem "incompetência" do diretor do GAVE
Albino Almeida afirma que "o GAVE é presidido por uma pessoa que é incompetente"
A Confederação Nacional das Associações de Pais disse, esta segunda-feira, que os resultados dos exames nacionais do ensino secundário refletem a "incompetência" do diretor do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) e não o trabalho de escolas e alunos.
"Consideramos que esta forma de preparar os exames nacionais está ligada à incompetência técnica do GAVE e naturalmente, perante estes resultados, importa que o senhor ministro diga rapidamente ao país o que pensa fazer", disse à Lusa o presidente da CONFAP, Albino Almeida.
O dirigente reagia desta forma aos resultados dos exames nacionais do ensino secundário, divulgados no domingo pelo Ministério da Educação, que apontam, tendo em conta os resultados globais, para médias negativas nas provas de Português, Matemática A e Física e Química.
"Já dissemos, e mantemos, o GAVE é presidido por uma pessoa que é incompetente. É preciso trabalhar muito mais e ir mais além para que as escolas possam preparar os seus alunos para responderem aos desafios que os exames lhes colocam. Já é um desafio difícil, não estamos a menosprezar o trabalho do GAVE, mas é preciso fazer mais", acrescentou Albino Almeida.
O presidente da CONFAP afirmou-se "muito preocupado" com "todas as médias do ensino secundário", mas que estas não constituem "nenhuma surpresa", tendo em conta aquilo que a confederação considera ser um trabalho "sem qualquer ligação" entre o GAVE e as escolas, que não permite preparar os alunos para os "desafios que os exames lhes colocam".
"Quando se diz que os alunos precisavam de mais desembaraço, porque é que não se dão essas indicações às escolas? Porque é que não são enviadas às escolas matrizes para que trabalhem e preparem os alunos para um maior grau de dificuldade. Alguma coisa está mal a este nível", acusou o responsável da CONFAP.
Albino Almeida disse que "aguarda serenamente" que o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, venha dar explicações, até porque, referiu, se estes números se referissem a sinistralidade rodoviária já teriam tido outra resposta por parte do Governo.
"Esta é uma responsabilidade em primeiro lugar do Ministério da Educação. Já dissemos que no GAVE não está uma pessoa sem capacidade de trabalhar para o grau de exigência que o senhor ministro quer. O ministro manteve-o lá transitoriamente. Está na hora de se tirarem conclusões", exigiu.
Albino Almeida pediu ainda às escolas que percam o "medo" de vir a público falar no assunto.
"Nenhuma escola se revê nestes resultados, tenho a certeza absoluta. Chegou a hora de as escolas deixarem de ter medo de falar. Há medo de falar nas nossas escolas. Espero que o percam e que venham dizer o que se passa".
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Ministro insatisfeito com resultados dos exames
O ministro da Educação, Nuno Crato, assumiu esta segunda-feira estar insatisfeito com os resultados dos exames nacionais, insistindo em mais trabalho para melhorar a educação dos jovens em Portugal.
"Os resultados não são satisfatórios, temos de fazer muito melhor", disse o ministro aos jornalistas, quando questionado sobre os resultados das provas de final de ciclo (6.º ano) e dos exames do 9.º ano e do Ensino Secundário, afixados esta segunda-feira nas escolas.
Segundo o ministro, apesar de ter havido este ano "ligeiras melhorias" no 9.º ano e "umas ligeiras descidas" no Secundário, os resultados não podem contentar o Ministério da Educação.
"Temos de fazer muito mais pela educação dos jovens portugueses e os resultados das provas e dos exames que agora saíram são apenas indicações. Isto indica que há muito trabalho a fazer", afirmou no final de uma cerimónia evocativa dos 25 anos do Conselho Nacional de Educação.
Nuno Crato exemplificou que no próximo ano será feito "algo mais no 4.º ano de escolaridade: "Vamos ter provas finais, que são antecipadas. Vão ser feitas no início do 3.º período e permitem depois uma maior recuperação".
O ministro classificou os exames como "um pormenor" em todo o sistema, embora importante, pois permitem saber qual é o estado do ensino "para o melhorar".
O ministro defendeu que as metas curriculares que apresentou recentemente para consulta pública são um "passo decisivo" para melhorar os resultados do trabalho de professores e alunos, uma vez que se destinam a clarificar os objetivos a atingir em cada ano.
As disciplinas do Ensino Secundário da área de ciências, aquela em que o ministério recomendou às universidades que apostassem, obtiveram médias negativas, com Matemática A nos 8,7 valores, Física e Química nos 7,5 e Biologia e Geologia nos 9,3. Em todos estes casos houve descida em relação ao ano passado.
No 3.º Ciclo, a média nacional de Língua Portuguesa foi de 545, subindo três pontos percentuais, e a de Matemática subiu dez pontos percentuais, também para 54%.
No 2.º Ciclo, realizaram-se, pela primeira vez, provas finais de Língua Portuguesa e Matemática, com médias de 59% e 54%, respetivamente.
As provas finais realizaram-se em 1.145 escolas do 2.º Ciclo e em 1.328 escolas do 3.º Ciclo de Portugal e nos estabelecimentos de ensino no estrangeiro com currículo português.
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Razia nas notas dos exames do Secundário
As médias totais dos exames finais de Português, e Matemática, do 12º ano, são negativas.
As médias totais dos exames finais de Português, e Matemática, do 12.º ano, são negativas. Às mesmas disciplinas escaparam os alunos do Básico, com uma média positiva, mas que não passa do suficiente.
A média total do exame final de Português do 120 ano ficou-se pelos 9,5 valores, tendo subido relativamente ao ano passado (8,9). Baixam esta média os alunos externos, isto é, aqueles que, por exemplo, anularam a disciplina e só foram a exame. Se contabilizássemos apenas os alunos internos (aqueles que levaram a disciplina até ao fim do ano), a média seria positiva, com 10,4 valores.
O mesmo se verifica com Matemática do 120 ano. A média total é de 8,7 valores, tendo baixado relativamente ao ano passado (9,2). Também aqui os alunos externos baixaram a média nacional e de uma forma significativa. Se contássemos apenas os alunos internos, a média seria 10,4 valores.
Ainda no Secundário destacam-se Biologia e Geologia; Física e Química A, e Filosofia. Todos com médias totais negativas. A média de Biologia e Geologia desceu de 10,7 no ano passado para 9,3 este ano; e a de Física e Química A desceu de 9,9 para 7,5 valores. A média total de Filosofia, um exame que não se realizava desde 2007, ficou-se pelos 7,8 valores.
Outras disciplinas foram sujeitas a exame final (num total de 25) e aquelas com média nacional positiva oscilaram, na sua maioria, entre os 10 e os 12 valores. Nesta primeira fase, informou o Ministério de Educação e Ciência, houve 362.414 inscrições, tendo sido realizadas 324.048 provas, o que corresponde a cerca de 90% das inscrições. Recorde-se que pela primeira vez, a primeira fase dos exames nacionais foi obrigatória.
Básico consegue positiva
Os alunos do Ensino Básico registaram melhores médias nacionais. A média total do exame final de Língua Portuguesa e de Matemática do 9.º ano foi, em ambas, de 53%.
Destaca-se uma subida percentual de 10 pontos em relação ao ano passado, no caso da disciplina de Matemática.
E mais uma vez os alunos externos baixaram a média dos exames nacionais. Neste caso, e em ambas as disciplinas, se contássemos apenas os alunos internos, teríamos uma média de 54%. No 9.º ano o número de provas realizadas foi de 92.976 a Língua Portuguesa, e 93.599 na disciplina de Matemática.
Nos exames finais do 6.º ano, realizados pela primeira vez , a média total em Língua Portuguesa foi de 59% e em Matemática foi de 54%. Realizaram as Provas Finais de Língua Portuguesa e de Matemática, do 6.º ano , 111.767 e 112.631 alunos, respetivamente.
FONTE: JN
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